APONTAMENTOS DE GERADOR EM BELO HORIZONTE / GENERATOR NOTES BELO HORIZONTE
Relatório reunião com a comunidade/ONGs
Este relatório tem por objetivo descrever a reunião realizada com representantes da comunidade sobre problemas referentes à segurança alimentar no dia 07 de agosto de 2015 em Belo Horizonte, na Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa. Apresentação inicial: Marnie e as tradutoras Sofia e Patrícia. Explicitou a respeito do projeto que será realizado com recursos financeiros do Instituto Bill e Melinda Gates e os fundos são destinados a trabalhar em bibliotecas em Belo Horizonte e em Porto Alegre. Acrescentou que serão criados ao todo três aplicativos que irão conectar as bibliotecas com as necessidades da comunidade. A primeira etapa do projeto envolve a análise das oportunidades em que a tecnologia pode auxiliar a causar mudanças na segurança alimentar.
Cada um dos participantes se apresentou:
• José Divino: representante Conselho Municipal de Segurança Alimentar, no momento atual é o presidente. É também, professor do curso de Nutrição da Universidade Federal de Minas Gerais.
• Marcia: representante da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (EMATER-MG). Trabalha no setor de Coordenação Técnica Estadual, com agricultura doméstica e em ações de segurança nutricional.
• Anna Cláudia: representante da Fundação Vale, atua em projetos de responsabilidade social na área de educação. Foi impulsionada a estar presente na reunião pelas questões das áreas de saúde e de desenvolvimento urbano tratados na Fundação Vale.
• Alencar: membro do Grupo Editorial Lê, voltado para publicação de literatura infantil e juvenil. Membro do Conselho Estadual de Cultura.
• José Carlos Aragão: Escritor e dramaturgo.
• Amanda: aluna do Curso de Ciências do Estado e da Governança Social, ligado à Ciência Política, na Universidade Federal de Minas Gerais. É estagiária do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas.
• Flávio: atua na empresa F1 Consultoria e Segurança Alimentar.
Após as apresentações pessoais, conversaram a respeito do uso que cada um faz dos aplicativos no dia-a-dia.
Neste aspecto, a participante Marcia afirmou que a EMATER trabalha com cerca de 80% dos municípios de Minas Gerais, em especial os de áreas rurais, e a maior forma de contato se dá por meio de celular. Ela mencionou, inclusive, que a empresa está com uma proposta de aproximar-se mais dos agricultores e para isso, pensam em construir um aplicativo voltado para os agricultores já que possuem uma assessoria de informática e um corpo técnico especializado. Apresentação de Daniela Greeb e Vanessa Labigalini e dos projetos desenvolvidos por elas por meio do Instituto de Políticas Relacionais. Explicitaram que os projetos que estão desenvolvendo, também são no âmbito das bibliotecas (tecnologia a serviço da biblioteca) com as temáticas: cultura, memória e as questões sociais.
Ricky Abisla também se apresentou e Marnie Webb complementou exemplificando alguns dos projetos de aplicativos que já foram desenvolvidos pela Caravan Studios (aplicativo sobre a violência doméstica e a necessidade de abrigos/aplicativo para fornecer informação sobre distribuição de refeições para crianças), em iniciativas semelhantes à desta reunião, trabalhando com a comunidade para definir o que é necessário ser feito. Como alguns participantes apontaram não utilizar alguns aplicativos e/ou redes sociais, Marnie explicitou que as redes sociais relacionadas com as tecnologias estão muito ligadas às formas como as pessoas se interagem. Desse modo, o aplicativo a ser desenvolvido, não irá utilizar o Facebook, mas o Facebook será utilizado para sua divulgação.
Por que Belo Horizonte e Porto Alegre? Perguntou a participante Ana, representante da Fundação Vale. Marnie respondeu que primeiramente, queriam trabalhar no Brasil. Posteriormente, em razão do histórico brasileiro em iniciativas de governo aberto. A legislação brasileira é forte na questão do governo aberto e com isso haveria possibilidade de trabalhar no país. Em outros países teriam dificuldades em executá-lo. O projeto é chamado “Feito na biblioteca” justamente por entender que o é papel das bibliotecas estabelecer conexões entre as pessoas. Para tanto, era necessário trabalhar em cidades que possuíam bibliotecas, uma cidade que tivesse a população de várias camadas sociais que possui acesso aos serviços de telefonia e utilizem dispositivos móveis. Outro aspecto, era necessário que tais cidades tivessem um governo que estivesse disposto a fornecer tais informações e com uma estrutura de tecnologia que permitissem contratar pessoas localmente e não ter que importar recursos dos Estados Unidos. Belo Horizonte e Porto Alegre estão entre as vinte cidades mais importantes do Brasil e dentre as pesquisadas possuem as características requeridas para o projeto: possuem recursos disponíveis, pessoal disponível. Belo Horizonte, por exemplo, tem uma política de segurança alimentar que é referência. Os padrões nutricionais que são estabelecidos aqui e a pirâmide nutricional é um diferencial e o aplicativo pode ser utilizado neste sentido. Já Porto Alegre, possui o orçamento participativo muito divulgado e famoso. Porto Alegre está entre as seis cidades do mundo que fazem parte da iniciativa de cidade resiliente. Por isso, era sabido que o governo estaria disposto a contribuir com o projeto. Ficou definido que São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília não seriam as cidades selecionadas por serem escolhas muito óbvias.
Marnie acrescentou que se espera que o que for desenvolvido tanto em Porto Alegre quanto em Belo Horizonte seja utilizado em outras cidades do país. Contudo, o que for desenvolvido em Belo Horizonte, espera-se que seja utilizado em todo o estado, porque possui uma iniciativa muito forte que não se observa tanto em Porto Alegre.
Logo após, propôs-se aos participantes uma série de exercícios, intitulada por Marnie como “pensamento de designer”. Abordagem que objetiva encontrar oportunidades para que a tecnologia seja útil.
Os participantes reuniram-se em grupo para definir e apontar questões específicas, porque a temática segurança alimentar é ampla. Tais questões elaboradas enfocaram segurança alimentar no âmbito regional, especificamente Belo Horizonte.
Uma das participantes teve a seguinte dúvida: o aplicativo estará vinculado a biblioteca? Vanessa e Daniela explicitaram que a biblioteca é parceira, poderá subsidiar auxílio a população para utilização do aplicativo.
Questões levantadas
José Divino mencionou que uma das questões importantes da segurança alimentar é que ela está ainda muito enfocada nas políticas públicas, ainda muito dependente de ações do governo. Tanto o consumidor quanto o produtor (de maneira geral), fica na dependência de políticas públicas. Ainda não há elementos que conecte o consumidor com o produtor.
Nesse sentido, a participante Anna indaga o que é segurança alimentar. José Divino respondeu que “em linhas gerais é uma política que garanta que haja produção, abastecimento e consumo de alimentos necessários para sua sobrevivência.” Anna mais uma vez pergunta se a segurança alimentar está associada à questão da fome. José Divino afirma que são questões complementares, uma vez que você tem uma política de abastecimento, de produção e de distribuição você “acaba” com a fome. A participante Marcia completa: “ela vai além da questão da fome, que é a ausência de alimento. Ela perpassa também a qualidade do que você consome e da forma como você consome. Então é no sentido de você consumir cada vez mais alimentos saudáveis do ponto de vista nutricional e sanitário, mas também com um modo de produção mais ecológico, sem tantos agrotóxicos.”.
Marnie acrescenta sobre a questão do conceito de segurança alimentar: cada país possui uma definição diferente, nos EUA, na África, no México... Serão diferentes. Em geral, vai ser como a capacidade de se produzir comida de qualidade para a população em geral. Com isso, ela dá um rápido exemplo dos EUA: “Vocês conhecem o estado do Havaí, nos EUA? Eles se preocupam muito com a segurança alimentar porque em casos de desastres naturais eles só possuem suplementos para duas semanas. Eles dependem muito dos carregamentos que chegam, fora isso eles só tem: cana-de-açúcar e abacaxi. Então, aqui em Minas Gerais será diferente, talvez vocês dependam de alimentos que chegam ou os alimentos que estão aqui bastam.”
A participante Marcia menciona: “Caminhando neste sentido, complementando o que ela disse, Belo Horizonte tem uma particularidade: não temos zona rural, não tem agricultura aqui. A política que nós trabalhamos no Brasil, a segurança alimentar é uma política que objetiva fortalecer os mercados locais, prioriza isso porque assim você sabe de onde vem o seu produto, não é o ‘Carrefour’ (rede de supermercados local) que vai vender pra você... a ideia é outra. Você não sabe o que o ‘Carrefour’ está vendendo pra você. Você lê a embalagem e vê que o produto é do Rio Grande do Sul ou de São Paulo, ou até mesmo China.
Então, você não conhece quem e como produziu o alimento. Você perde o controle de qualidade porque não sabe a origem. A política quer fortalecer os vínculos de quem produz e quem consome para termos uma segurança maior em relação a origem. Outra questão, você fortalece o mercado local, a economia, contribuindo diretamente para as famílias que produzem e assim não dependem tanto de atravessadores.”
Anna questionou como pode haver a conexão entre os produtores e os consumidores. José Divino respondeu que esta é a grande questão. Hoje, com as politicas de segurança alimentar as conexões são estabelecidas pelo Governo. “Devíamos pensar num aplicativo que descolasse da política pública, porque Belo Horizonte já tem a sua política pública e vai continuar tendo. A própria EMATER pode nos ajudar, mas ela também é responsável por formular políticas públicas, é governo. Agora, o que podemos pensar enquanto sociedade civil é numa forma de conectar com o produtor. Por exemplo, se eu hoje quero comprar um produto orgânico, minha única alternativa são as feiras que o Governo promove. Mas eu poderia ter a liberdade de conectar com o próprio produtor e o produtor também usar esse aplicativo para dizer que vende produtos orgânicos. Ou seja, descolar da política pública. Não que a gente é contra a política pública, tem que ter, é necessário, mas a sociedade deve ser mais independente.”
• Herança paternalista da sociedade brasileira, dependência de políticas públicas. Descolar da política pública.
• Agricultura familiar
• Agricultura urbana
• Falta fomentar o mercado local
• Sustentabilidade dos pequenos agricultores
• Qualidade e “nível de saúde” dos alimentos produzidos e consumidos.
• Desconhecimento do cidadão sobre a origem dos alimentos. Como saber os procedimentos do alimento?
A participante Amanda indagou sobre como fazer para conectar os produtores com os consumidores. Quem faz essa conexão hoje, conforme mencionou José Divino, são as políticas públicas através das políticas governamentais, da fixação de feiras, do próprio Ceasa (empresa governamental) que é de onde vêm todos os alimentos. Não há como comprar diretamente do agricultor. “Você compra do Ceasa ou do supermercado. Se você quiser comprar um alimento orgânico, você vai às feiras que são organizadas pelo governo. Se quiser comprar qualquer alimento hoje, de alguma forma está intermediado pelo governo. Não temos conexão direta com o agricultor familiar ou com o produtor de alimentos orgânicos. A ideia é pensar em tecnologias que dê mais independência para que as pessoas não fiquem tão dependentes do governo. O Governo vai resolver, ele tem obrigação de resolver essas questões dos desvalidos, a questão da obesidade que é pior do que a fome. Isto é política de governo.” Marcia comenta que em termos de politicas públicas, “o número de pessoas com outros problemas alimentares decorrentes do excesso ou mau uso, é maior do que o número de pessoas no Brasil com fome. Apesar de que a fome é a pior de todas as doenças, de todos os problemas”.
• Conectar consumidor com os produtores
José Carlos menciona que sobre a questão da segurança alimentar o assunto que para ele requer maior ênfase é a fome e a desnutrição. “Reconheço a necessidade de políticas públicas, mas acho que nós temos uma cultura paternalista que nos limita muito. É uma mania de achar que o governo deve resolver tudo. (...) quando eu falo de fome, desnutrição e subnutrição minha preocupação é a seguinte: como o pão chegará à boca de quem tem fome? (...) eu já morei na rua e já passei fome (...) foi um curto período, mas sei o que é isso. (...) Aquele cara que está ali embaixo (o participante refere-se aos moradores de rua que estão no entorno da Biblioteca Pública) não tem acesso a tecnologia e a aplicativo. O que ele é tem é fome.”
Neste sentido, Daniela explica que estando um morador de rua próximo à biblioteca, ele pode utilizar tal ambiente para ter acesso a informação de onde encontrar alimento. José Divino complementa que existe dentro da política de segurança alimentar de Belo Horizonte uma abordagem para os moradores de rua através da Secretaria de Políticas Públicas e é por isso que Belo Horizonte é uma referência. “O morador de rua não paga em Restaurante Popular. Claro que ele tem que ser informado disso. Apesar de que há moradores de rua que se negam a qualquer tipo de auxilio. Tem morador de Rua em Belo Horizonte que tem curso superior, são as exceções.”
Daniela indaga: tem o Restaurante Popular, mas como fazer para essa comunicação chegar? Vanessa exemplificou com uma parceria que o SESC faz em São Paulo, onde recolhe os alimentos que desperdiçam dos Restaurantes para população carente. Em Belo Horizonte há iniciativas semelhantes intituladas: “Mesa Brasil” e “Cozinha Brasil”.
• Como alimentar quem mora nas ruas?
• Como o pão chega a quem tem fome?
• Será que os moradores de rua acessam seu direito ao Restaurante Popular?
• Fome/desnutrição
José Carlos comenta a respeito do desperdício de alimentos. “Da produção de alimentos, entre o produtor e o consumidor final, esse caminho que percorre há um elevadíssimo índice de desperdício. O que se perde no caminho trajeto é muito grande.”
• Desperdício de alimentos, de maneira geral: desde o manuseio (na colheita, no acondicionamento), no transporte, armazenamento, até em restaurantes.
Descrição das limitações (exceto dinheiro e tempo):
• Conectar consumidor com o produtor: problema com atravessadores. A participante Marcia aponta que o consumidor de Belo Horizonte não sabe quem são os agricultores e não frequenta a zona rural porque não tem um espaço rural na cidade. Já o produtor (o produtor ao qual Marcia se refere é o agricultor familiar = agricultor pequeno, que trabalha em pequenas áreas, não necessariamente áreas próprias, o terreno por vezes é de outro proprietário, tem uma renda menor, ou são assentados de Reforma Agrária, ou ribeirinhos), trabalha com a família, ou seja, praticamente não emprega ninguém. É importante destacar que estão se referindo ao produtor agricultor familiar, porque no Brasil 70% do alimento que vai a mesa é produzido pelo agricultor familiar. Já o alimento que é exportado, é produzido pelos grandes agricultores. O fato pelo qual não ocorre a conexão entre os agricultores e o consumidor é porque o mercado é muito “feroz”, esses agricultores não conseguem entrar diretamente no mercado, não conseguem manter-se financeiramente, expor o seu produto. Anna Claudia exemplifica que enquanto consumidora, não consegue ter acesso ao produto vendido diretamente pelos produtores em especial pelo horário. Geralmente ela sai do trabalho a noite e as redes de supermercado ficam abertas a noite, ao contrário das feiras que funcionam durante o dia. Neste aspecto, José Divino menciona que há a questão do hábito cultural brasileiro de depender muito de política pública. José Carlos lembra que há também, além dos alimentos produzidos pelos agricultores, os alimentos processados. Marnie resumiu a questão da seguinte forma: “há dois mercados aqui: o primeiro que vocês estavam falando e o segundo mercado em que podemos questionar como fazer com que esses produtores familiares consigam levar os produtos deles até essas pessoas que estão produzindo esses produtos industrializados”. Anna Claudia lembra que a Lei da Merenda Escolar já contribui neste sentido. Após as considerações, José Divino propõe um recorte. “O grande déficit da alimentação mundial, não só no Brasil, é o baixo consumo de frutas, verduras e legumes frescos. (...) A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda 400 gr. per capita por dia/pessoa. No Brasil está em termos de 80 gr. Então, deveríamos focar nossas discussões e concentrar nossas energias em desenvolver mecanismos/aplicativos que estimulem as pessoas a comerem frutas, verduras e legumes”. Isso porque o agricultor não produz pão, etc. O que ele produz, em sua maioria, é cenoura, batata, mandioca, couve, etc.
A participante Marcia exemplificou que no trabalho dela, tinha um agricultor que vendia diretamente para os funcionários. Mas a demanda era grande, ele não conseguia atender. Havia, também, uma feira que funcionava em frente, mas não vendeu o suficiente para manter-se e mudou de localidade. Com isso, a participante não consegue comprar mais, mas tal vendedor da feira faz entregas e é por isso que a ideia de um aplicativo que faça esse contato é relevante porque possibilitará que mais pessoas saibam de produtores que vendem diretamente, que fazem entrega de seus produtos. “Já houve tentativas de fazer isso por e-mail e não deu certo”.
Anna ainda acrescentou que Belo Horizonte não é uma cidade produtora, não possui zona rural como já foi falado. Agricultura familiar ocorre nas regiões metropolitanas e interioranas de Minas Gerais: Brumadinho, Moeda, Vespasiano, etc. É preciso que haja uma ligação intermunicipal. José Divino mencionou o caso do Japão em que é produzida uma cesta com determinados produtos agrícolas por encomenda e entregue ao consumidor sem intermédio do governo ou politicas públicas, e que funciona muito bem. Há garantias que não há agrotóxicos, etc.
• Desperdício de alimentos: infraestrutura de logística (estradas ruins), transporte em geral.
• Herança paternalista da sociedade brasileira, dependência de políticas públicas. Conectar consumidor com os produtores: alta dependência de políticas públicas, custo alto para se estabelecer no mercado. O agricultor depende de atravessadores.
• Agricultura familiar: Falta de incentivo das políticas públicas. Por exemplo: Desconto no valor do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano)
• Agricultura urbana: dificuldade de acesso aos equipamentos adequados em lojas. Pequeno espaço das moradias, não há espaços públicos disponibilizados para hortas comunitárias. José Carlos relatou a tentativa de fazer uma horta hidropônica no prédio em que ele reside e que a maior dificuldade enfrentada foi com relação a encontrar os equipamentos necessários nas lojas. Anna Claudia citou que há pouco espaço nos apartamentos, nem todos possuem varanda e José Divino acrescentou que não há espaços públicos. Amanda e Anna lembraram que há hortas comunitárias em escolas públicas.
• Fomentar o mercado local: presença de atravessadores, falta de autonomia dos produtores. Jose Divino mencionou que os agricultores possuem cooperativas, mas ainda assim são dependentes do governo. É a Prefeitura que “patrocina”.
• Sustentabilidade dos pequenos agricultores (Qualidade e “nível de saúde” dos alimentos produzidos e consumidos): Falta de acesso aos consumidores e a uma lógica comercial, legislação sanitária rigorosa focada nos grandes produtores, falta de conhecimento comercial.
• Desconhecimento do cidadão sobre a origem dos alimentos. Como saber os procedimentos do alimento?: Falta de serviço de informação ou informações insuficientes. Vanessa mencionou que um fator limitador é também a falta de conhecimento sobre determinados alimentos. As pessoas não sabem o valor nutricional dos alimentos.
• Fome: Problemas relacionados ao fornecimento e distribuição dos alimentos, por exemplo, no caso dos moradores de rua. O participante José Carlos acredita que falte alimento para moradores de rua por uma falta de políticas públicas que atinjam diretamente tal população. Já Anna Claudia não concorda com o posicionamento, porque segundo ela, as políticas de assistência social em Belo Horizonte são bem eficazes, há albergues e abrigos pela cidade, o Restaurante Popular é gratuito para essa população. Ela exemplificou contanto que já trabalhou em projetos sociais em favelas de Belo Horizonte e a fome não era a questão central e sim a violência. Assim sendo, a discussão perpassa mais sobre o que estão comendo (qualidade em termos nutricionais) do que pela falta. “Havia a questão da desnutrição infantil, onde a Pastoral da Criança fazia um controle, mas com relação ao adulto, não. Na questão do adulto morando nas ruas pode ser. Mas os programas de abordagem de moradores de rua aqui são muito bons”.
Vanessa contou que há muitos anos trabalha em programas com moradores de rua em São Paulo. “Em São Paulo tem cerca de 13.000 moradores de rua. A gente já fez vários trabalhos com eles e já faço isso na minha vida já faz um tempo. A questão é: têm muitos abrigos, abrigos bons e ruins, abrigos adequados ou não, e tem vários que optam por não ir porque a disciplina (...) e as regras que eles decidem seguir o caminho deles de outras formas de se alimentar”. Amanda completou comentando a respeito de um trabalho acadêmico que realizou em que os moradores de rua, em sua maioria, não passam fome mesmo. Eles frequentam o Restaurante Popular e o albergue. José Divino acrescenta que não há moradores de rua em Belo Horizonte desnutridos. “Existe morador de rua “desastido” pela saúde, mas desnutrido não. Há obesos, hipertensos, etc. É uma questão polêmica”.
Anna dá o seu ponto de vista: “na minha percepção, o que o Aragão está querendo mostrar é o risco que esta discussão sobre segurança alimentar escorregar para uma “coisa cool”... ah, vamos comer orgânico e nós ficarmos discutindo isso. Não digo que não é uma questão legítima. Mas quer deixar claro que há quem passe fome e não devemos nos apegar a determinada questão só porque é cool. Não pode ficar uma coisa elitista num país tão desigual como o nosso”.
• Desnutrição: hábitos alimentares, falta de acesso rápido aos alimentos saudáveis.
Como poderíamos...
Marnie explica um pouco da questão “como poderíamos”.
• Desperdício de alimentos, de maneira geral: Como poderíamos adotar medidas e práticas que reduzam o desperdício?
• Agricultura urbana: Como poderíamos ter tecnologias e insumos para estimular a agricultura urbana? Como poderíamos ter mais espaços públicos para a agricultura urbana? Como poderíamos ter políticas públicas que incentivem a agricultura urbana?
• Fomentar o mercado local: Como poderíamos aumentar a autonomia dos agricultores para a comercialização de sua produção?
• Sustentabilidade dos pequenos agricultores. Qualidade e “nível de saúde” dos alimentos produzidos e consumidos: Como poderíamos ampliar o conhecimento comercial dos agricultores familiares? Como poderíamos adequar a legislação para as características do pequeno agricultor? Como poderíamos levar em consideração o contexto da produção? Como poderíamos potencializar apoio comunitário com habilidades específicas aos agricultores familiares (por exemplo: veterinário voluntário ou de cooperativa ou da prefeitura, no caso dos produtores de leite, etc.)? Como poderíamos ampliar o apoio e proteção aos produtores familiares?
• Desconhecimento do cidadão sobre a origem dos alimentos. Como saber os procedimentos do alimento: Como poderíamos ampliar o acesso à informação?
• Fome/desnutrição: Como poderíamos divulgar o “Guia Alimentar para a População Brasileira”? Como poderíamos ampliar o conhecimento sobre os valores nutricionais? Como poderíamos ampliar a informação e divulgação dos pontos de alimento saudável?
O Guia Alimentar para a População Brasileira, conforme apontou José Divino, é um guia de referência pouco conhecido pelos brasileiros, embora tenha reconhecimento internacional. Este guia classifica os alimentos e faz as recomendações. Tais informações podem ser incorporadas ao aplicativo de maneira mais lúdica, também para pessoas que não dispõem de recursos.
Marnie ressaltou que há outras maneiras de disponibilizar tais conhecimentos que não sejam exclusivamente disponibilizar o Guia. Mencionou sobre um aplicativo desenvolvido que informa o quanto foi consumido e de acordo com os dados fornecidos pelo usuário, o aplicativo ao final do dia fornece um relatório com porcentagens e dados nutricionais.
O participante José Carlos Aragão sugeriu que fosse criado um aplicativo que traduzisse as informações nutricionais das embalagens dos alimentos. “Do que adianta eu saber a percentagem do produto, quantas gramas de sódio? E daí? Qual é a quantidade ideal de consumo?” José Divino afirma que tal informação até tem, mas que é necessário fazer muitos cálculos.
Após a elaboração das perguntas para as limitações, Marnie contou brevemente uma história sobre os palhaços, apresentados em imagens em Caracas, na Venezuela. Tratava-se de um programa que chegou a Bogotá porque havia o grande taxa de mortes por atropelamento. Então o governo contratou palhaços para ir até as ruas e através de brincadeiras ensinarem os pedestres a utilizar a faixa de pedestres. A Campanha funcionou muito bem, porque as mortes por atropelamento reduziram muito em Bogotá. Assim sendo, levaram a Campanha para outras cidades. Marnie indagou: Como deve ter sido a reunião do conselho quando foi proposto um orçamento destinado à campanha com palhaços? É engraçado pensar em tal fato e nos seus desdobramentos burocráticos, mas a campanha foi bem-sucedida. Ela mencionou tal história para estimular os participantes da reunião a pensar que se encontrarem alternativas para as questões propostas semelhantes a da campanha, não há problema. Porque este não é o momento para pensar se funcionaria ou não, tampouco com tecnologias. Com isso, ela propõe que os participantes respondam as questões que elaboraram no tópico anterior.
• Como poderíamos ampliar a informação e divulgação dos pontos de alimentação saudável? Indicação visual (placas, adesivos), divulgação em redes sociais. Desenvolver uma plataforma geo-referenciada, que seja colaborativa, pontos de alimentação saudável em Belo Horizonte.
• Como poderíamos divulgar o “Guia Alimentar para a População Brasileira” (divulgar informações sobre alimentação saudável)? Como poderíamos ampliar o conhecimento sobre os valores nutricionais? Divulgação permanente em grandes mídias. Criar memes e colocar nas redes sociais.
• Como poderíamos ter um “decifrador” de embalagens? Usar uma linguagem menos técnica nas embalagens dos produtos.
• Como poderíamos ter políticas públicas que incentivem a agricultura urbana? Desconto em impostos e taxas municipais para quem pratica agricultura urbana.
• Como poderíamos ter mais espaços públicos para a agricultura urbana? Identificar e destinar espaços ociosos para os grupos que pratiquem a agricultura urbana.
• Como poderíamos ampliar os pontos de distribuição de comida saudável? Estabelecer conexão entre o consumidor e o produtor/agricultor familiar.
• Como poderíamos ter tecnologias e insumos para estimular agricultura urbana? Orientação técnica disponível
• Como poderíamos adotar medidas práticas que reduzam o desperdício? Intervenção educativa em toda a cadeia produtiva e do consumo.
• Como poderíamos ampliar o apoio à produção dos agricultores familiares? Estimular a cooperação e o associativismo entre os agricultores familiares.
• Como poderíamos ampliar o conhecimento comercial dos agricultores familiares? Informação e intercâmbio de conhecimento.
• Como poderíamos adequar a legislação para as características do pequeno agricultor? Articular as instituições responsáveis pelas normativas para reconhecer as diferenças entre os produtores.
• Como poderíamos potencializar apoio comunitário com habilidades específicas aos agricultores familiares? Conectar o consumidor com o agricultor. Mapear e divulgar os agricultores familiares que estão por perto, em torno das comunidades. Aumentar a autonomia dos agricultores para comercialização de sua produção.
Marnie mencionou que ela ouviu várias coisas que são possíveis fazer sem muita dificuldade, e outras questões, como a adequação da legislação, que nenhuma tecnologia americana pode ajudar. Explicitou que mesmo havendo várias questões que podem ser solucionadas, apenas três aplicativos serão criados. As soluções apresentadas são diferentes e serão tratadas de maneiras diferentes.
Logo após, explicou a teoria por trás da metodologia adotada durante a reunião.
Há questões e problemas. As questões são abrangentes e precisam de atenção contínua. Já os problemas, conseguimos encontrar soluções, podemos agir para solucionar. Não podemos confundir os dois. O impacto e o resultado de cada um são diferentes. E assim, explicitou cada conceito por meio das questões apresentadas.
O aplicativo pode trabalhar numa área específica e solucionar um problema. A teoria é utilizada não só para compreender o que é executável ou não, mas também para entender como a tecnologia pode impactar as situações. Há três maneiras de a tecnologia impactar as questões: a tecnologia pode iluminar (dar visibilidade, esclarecer) as questões; a tecnologia pode apontar as questões e a tecnologia pode indicar ação para as questões: agir.
Com isso, fica a pergunta: “É uma oportunidade para iluminar, apontar ou agir? Qual o impacto queremos dar a cada uma das questões?” E assim, os participantes classificaram as questões respondidas. Após classificá-las, foram orientados por Marnie, a votar em quais questões chamaram mais atenção.
Questões mais votadas:
Iluminar: A tecnologia pode iluminar as questões.
Plataforma geo-referenciada para iluminar onde estão os locais de comida saudável.
Apontar: A tecnologia pode nos ajudar a apontar as diferenças.
Mapear e divulgar os agricultores familiares que estão por perto.
Agir: A tecnologia pode ajudar as pessoas a agir.
Estabelecer a conexão entre o consumidor e o agricultor familiar.
Marnie esclareceu que irão levar as questões e as ideias que foram levantadas com este encontro focando nas ideias eleitas, que são as mais tecnicamente viáveis, para profissionais que desenvolvem essas tecnologias e designers. Esses profissionais irão elaborar protótipos e depois os resultados serão compartilhados durante os eventos programados para ocorrer em setembro e em outubro.
Comentários finais.
Agradecimentos.
- ENGLISH BELOW****
Generator Notes 7 August 2015
This report aims to describe the meeting with community representatives about issues related to food security on August 7, 2015 in Belo Horizonte, in the State Public Library Luiz de Bessa. Initial presentation: Marnie and translators Sofia and Patricia. Marnie explained about the project which will be carried out with funds from the Bill and Melinda Gates Foundation and the funds are intended to work in libraries in Belo Horizonte and Porto Alegre. She added that three applications will be created that will connect libraries with community needs. The first stage of the project involves analyzing the opportunities that technology can help bring about change on food security.
Each participant introduced themselves: • José Divino: representative Municipal Council for Food Safety (CONSEA) at the present time is the president. It is also, professor of Nutrition at the Federal University of Minas Gerais (UFMG). • Marcia: representative of the Company for Technical Assistance and Rural Extension of Minas Gerais (EMATER-MG). It works in coordination State Technical sector, with domestic agriculture and nutrition security actions. • Anna Claudia: representative of the Vale Foundation, active in social responsibility projects in education. It was compelled to attend the meeting by the questions of health areas and urban development discussed at the Vale Foundation. • Alencar: Group member Editorial Lê (Read), focused on publishing children's literature. Member of State Council of Culture. • José Carlos Aragão: Writer and playwright. • Amanda: student of the State Science Course and Social Governance, connected to Political Science at the Federal University of Minas Gerais. Intern with the State System of Public Libraries. • Flavio: operates F1 Consulting on Food Safety.
After the personal presentations, they talked about the use that each makes the applications in day-to-day.
In this aspect, Marcia said EMATER works with about 80% of the municipalities of Minas Gerais, especially in rural areas, and the highest form of contact is through cell phones. She mentioned, also, that the company is with a proposal to move closer to farmers and for this, think about building a targeted application for farmers as they have a computer consulting and specialized technical staff.
Daniela Greeb and Vanessa Labigalini introduced themselves and their projects with the Institute for Relational Politics. Made explicit that the projects we are developing, are also within the library (technology in service to the library) with the theme: culture, memory and social issues.
Ricky Abisla also performed and Marnie Webb added exemplifying some of the applications of projects that have already been developed by Caravan Studios (application on domestic violence and the need for shelters / application to provide information on the distribution of meals for children), in similar initiatives to this meeting, working with the community to define what needs to be done. As some participants pointed not use some applications and / or social networks, Marnie explained that social networks related technologies are closely linked to the ways people interact. Thus, the application being developed, will not use Facebook, but Facebook will be used for dissemination.
Why Belo Horizonte and Porto Alegre? Asked the participant Ana, representative of the Vale Foundation. Marnie replied that first, wanted to work in Brazil. Later, due to the Brazilian historical in open government initiatives. Brazilian law is strong on the issue of open government and thus would be able to work in the country. Other countries would have difficulty running it. The project is called "Made in the Library" just by understanding the role of libraries is to establish connections between people. For this purpose, it was necessary to work in cities that had libraries, a city that had a population of various social strata that has access to mobile telephone services and use mobile devices. Another aspect, it was necessary that these cities had a government that was willing to provide data and with a technology framework that would allow hiring people locally and not having to import US resources. Belo Horizonte and Porto Alegre are among the twenty most important cities in Brazil and among the surveyed possess the requisite characteristics for the project: they have available resources, available staff. Belo Horizonte, for example, has a food security policy that is a worldwide reference/model.
Nutritional standards that are set here and the nutritional pyramid is a differential and the application can be used in this regard. Likewise, Porto Alegre is the home of the much publicized and famous participatory municipal budgeting. Porto Alegre is among the six cities in the world that are part of the Rockefeller Foundation’s Resilient Cities initiative. So it was known that the government would be willing to contribute to the project. It was decided that São Paulo, Rio de Janeiro and Brasilia would not be the cities selected as they would be very obvious choices.
Marnie added that it is expected that what is developed both in Porto Alegre and in Belo Horizonte is used in other cities. However, what is developed in Belo Horizonte, it is expected to be used throughout the state, because it has a very strong initiative that is not observed either in Porto Alegre. Soon after, it was proposed to the participants a series of exercises entitled by Marnie as "design thinking." An approach which aims to find opportunities for technology to be useful.
Participants gathered in groups to define and point out specific issues, because the food security theme is broad. Such questions prepared focused on food security at the regional level, specifically Belo Horizonte. One of the participants had the following questions: the application will be linked to the library? Vanessa and Daniela made explicit that the library is a partner, can help the population to use the application.
Questions raised
José Divino mentioned that one of the important issues of food security is that it is still very much focused on public policy, still very dependent on government actions. Both the consumer and the producer (in general), it is the responsibility of public policy. No elements that connect the consumer to the producer.
In this sense, the participant Anna asks what is food security. Jose Divino said that "in general is a policy to ensure that there is production, supply and consumption of food necessary for their survival." Anna again asks if food security is linked to the issue of hunger. José Divine states that are complementary issues, once you have a supply policy, production and distribution you "just" hunger. Marcia full participant, "it goes beyond the issue of hunger, which is the absence of food. It also permeates the quality of what you eat and how you eat. So it is towards you consume more and more healthy foods nutritional and health point of view, but also with a more environmentally friendly mode of production, without so many pesticides.” Marnie adds on the question of the concept of food security: each country has a different definition, in the US, Africa, Mexico ... will be different. In general, it will be the ability to produce quality food for the population in general. With that, it gives a quick example US: "You know the state of Hawaii, in the US? They are very concerned about food safety because in case of natural disasters they have only two weeks worth of supplies. They rely heavily on shipments, otherwise they only have sugarcane and pineapple. So, here in Minas Gerais will be different, perhaps you depend on food shipments or maybe the food that is grown here is enough.”
The participant Marcia mentions: "Along these same lines, complementing what she said, Belo Horizonte has a peculiarity: we have no countryside, no agriculture here. The policy that we work in Brazil, food security is a policy that aims to strengthen local markets, prioritize this because so you know where it comes from your product, it is not the 'Carrefour' (local supermarket chain) that will sell for you ... the idea is quite another. You do not know what the 'Carrefour' is selling to you. You read the package and see that the product is of Rio Grande do Sul and São Paulo, or even China. So you do not know who and how produced food. You lose the quality control because they do not know the origin. The policy wants to strengthen the bonds of those who produce and those who consume to have greater certainty regarding the origin. Another issue, strengthen the local market, the economy, contributing directly to the families that produce and thus do not depend as much on middlemen. " Anna wondered how there could be a connection between producers and consumers. Jose Divino said that this is the big question. Today, with the security policies feed connections are established by the Government. "We should think of an application that took off of public policy because Belo Horizonte already have their public policy and will continue to. EMATER themselves can help us, but it is also responsible for formulating public policy is government. Now, we can think while civil society is a way to connect with the producer. For example, if today I want to buy an organic product, my only alternative is fair that the government promotes. But I could have the freedom to connect with the producers themselves and the producer also use this application to mean that sells organic products. Or detach it from public policy. Not that we are against public policy, must have it, it is necessary, but society should be more independent. "
• paternalistic heritage of Brazilian society, dependence on public policies. Detach this from of public policy.
• Family farming
• Urban Agriculture
• Lack foster local market
• Sustainability of small farmers
• Quality and "health status" of the food produced and consumed.
• Citizen ignorance about the origin of food. How to know the provenance of food?
The participant Amanda inquired about how to connect producers with consumers. Who makes that connection today, as Jose Divino mentioned, are public policies through government policies, the setting of fairs, the very CEASA (government business) which is where they come from all foods. There's no buy directly from the farmer. "You buy the Ceasa or supermarket. If you want to buy an organic food, you go to the fairs that are organized by the government. If you want to buy any food today is somehow brokered by the government. We have no direct connection to the family farmer or the producer of organic foods. The idea is to think of technologies that give more independence so that people are not so dependent on the government. The Government will solve, he has an obligation to address these issues of the destitute, the issue of obesity that is worse than hunger. This is government policy. "Marcia says that in terms of public policy," the number of people with other eating problems arising from excess or misuse, is greater than the number of people in Brazil hungry. Although hunger is the worst of all diseases, all the problems. "
• Connect consumers with producers
José Carlos mentions that on the issue of food security for the subject that it requires greater emphasis is hunger and malnutrition. "I recognize the need for public policy, but I think we have a paternalistic culture that limits us a lot. It is a habit of thinking that the government should solve everything. (...) When I speak of hunger, malnutrition and undernourishment my concern is: how will bread reach the mouth of the hungry? (...) I used to live on the street and I was hungry (...) it was a short period of time, but I know what it is. (...) That guy who's down there (the participant refers to homeless people who are in the vicinity of the Public Library) have no access to technology and application. What he's got is hungry. "
In this sense, Daniela explains that being a homeless person near the library, they can use the library to access to information where to find food. José Divino complements that existing within the food security policy of Belo Horizonte an approach to the homeless through the Department of Public Policy and that's why Belo Horizonte is a reference/model. "The homeless do not pay in Popular Restaurant. Of course you have to be informed of it. Although there are homeless people who refuse to any kind of aid. Some homeless people in Belo Horizonte have higher education degrees, but they are the exceptions. " Daniela asks: how does the Popular Restaurant communicate this? Vanessa exemplified with a partnership that makes SESC in São Paulo, which collects food waste to be distributed to the poor. In Belo Horizonte there are similar initiatives titled: "Brazil Table" (Mesa Brasil) and "Brazil Kitchen" (Cozinha Brasil).
• How to feed those who live on the streets?
• How does bread reach the hungry?
• Do the homeless access their rights to eat for free at the Popular Restaurants?
• Hunger / malnutrition
José Carlos comments on food waste. "From food production, from the producer to the final consumer, this path that runs along there is a very high wastage rate. What is lost in the path way is very large. "
• Food waste in general: from handling (harvesting, packaging), transportation, storage, even in restaurants.
Description of limitations (except money and time):
• Connect consumers with producer: problem with middlemen. The participant Marcia points out that the Belo Horizonte consumer does not know who the farmers and do not go to the countryside because there isn’t rural space in the city. But the producer (the producer to which Marcia refers to is the family farmer = small farmer, working in small areas, not necessarily his own areas, the terrain sometimes belongs to another owner, he has a low income, or are beneficiaries of Agrarian Reform or are riverside), working with the family, that is, practically does not employ anyone. Importantly, they are referring to the producer family farmer, because in Brazil 70% of the food that goes to table is produced by family farmers. But the food that is exported is produced by large farmers. That does not occur in which the connection between farmers and consumers is because the market is very "fierce", these farmers can not directly enter the market, they cannot keep up financially in order to export their products. Anna Claudia exemplifies that as a consumer, cannot gain access to the product sold directly by producers in particular by time. Usually she leaves work at night and supermarket chains are open at night, unlike the markets that work during the day. In this regard, José Divino mentions that there is the question of Brazilian cultural habit of too much dependency on public policy. José Carlos points out that there are, in addition to food produced by farmers, processed foods.
Marnie summed it up as follows: "there are two markets here: the first that you were talking about and the second market where we can question how to make these family farmers able to take their products to these people who are producing the industrial/refined products" .
Anna Claudia recalls that the School Lunch Law is already contributing in this regard. After considerations, José Divino proposes a cut. "The biggest deficit of the world power, not only in Brazil, is the low consumption of fruits and vegetables. (...) The World Health Organization (WHO) recommends 400 gr. per capita per day / person. In Brazil is under 80 gr. So we should focus our discussions and focus our energies on developing mechanisms / applications that encourage people to eat fruits and vegetables." This is because the farmer does not produce bread, etc. What he produces, in most cases, it is carrots, potatoes, cassava, cabbage, etc.
The participant Marcia exemplified that in her work, had a farmer who sold directly to employees. But demand was too great and he couldn’t meet it. There was also a market/fair that sold in front of her office, but did not sell enough to maintain itself and changed locations. Thus, the participant cannot buy more, but such market seller makes deliveries and that's why the idea of an application that makes this contact is important because it will allow more people to know producers who sell directly, making delivery of their products. "There have been attempts to do this by e-mail and did not work." Anna added that Belo Horizonte is not a producing town, does not have the countryside as has been said. Family farming occurs in metropolitan and interior regions of Minas Gerais: Brumadinho, Moeda, Vespasiano, etc. There needs to be an inter-municipal connection. José Divino mentioned the case of Japan where a basket containing certain agricultural products is delivered to the consumer without government intermediation or public policy, and that works very well. No guarantee that there are no pesticides, etc.
• Food waste: logistics infrastructure (bad roads), transportation in general.
• Paternalistic heritage of Brazilian society, dependence on public policies. Connect consumers with producers: high dependency on public policy, high cost to establish oneself in the market. The farmers depend on middlemen.
• Family Agriculture: Lack of encouragement of public policies. For example rebate in the amount of property tax (Tax Urban Building and Land)
• Urban agriculture: lack of access to adequate equipment in stores. Small spaces available in many places where people live, there are no public spaces available for community gardens.
José Carlos reported the attempt to make a hydroponic garden in the building in which it resides and that the greatest difficulty was faced with regards to finding the necessary equipment in stores. Anna Claudia mentioned that there is little room in the apartments, not all have a balcony and Jose Divino added that there are no public spaces. Amanda and Anna remembered that there are community gardens in public schools.
• Encourage the local market: the presence of middlemen, lack of autonomy of producers.
Jose Divino mentioned that farmers have unions, but they are still dependent on government. It is the City Hall that "sponsors".
• Sustainability of small farmers (Quality and "health status" of the food produced and consumed): Lack of access to consumers and business logic, strict health legislation focused on large producers, lack of commercial knowledge.
• Citizen ignorance about the origin of food. How to know where food has come from?: Missing or insufficient information about provenance. Vanessa mentioned that one limiting factor is also the lack of knowledge about certain foods. People do not know the nutritional value of food.
• Hunger: Issues related to the supply and distribution of food, for example, in the case of the homeless.
The participant José Carlos believes that the lack food for the homeless is caused by a lack of public policies that directly reach this population. Already Anna Claudia does not agree with the position because she said, social assistance policies in Belo Horizonte are very effective, there are hostels and shelters around the city, the People's Restaurant is free for this population. She exemplified as long as it has worked on social projects in the slums of Belo Horizonte and hunger was not the central issue, but violence. Therefore, the discussion permeates more about what they are eating (quality in nutritional terms) than the lack. "There was the issue of child malnutrition, where the Child Care system was a control, but with regard to adults, no. Lack of services for adults who are malnourished. But homelessness programs here are very good. "
Vanessa said that for many years working in programs with the homeless in Sao Paulo. "In São Paulo has about 13,000 homeless people. We've done several projects with them already and have done this in my life for a long time. The question is, there are many shelters, good and bad shelters, adequate shelters and inadequate, and has several who choose not to go because the discipline(...) and the rules that they decide to go look for other ways to get fed.” Amanda commented on an academic piece of work in which the homeless, mostly, are not starving. They attend the Popular Restaurant and the shelter. José Divino adds that there are no malnourished homeless people in Belo Horizonte. "There homeless" who gave up on their health, but they’re not malnourished. There are obese, hypertensive, etc. homeless folks. It is a controversial issue. "
Anna gives her view: "in my perception, which Aragão is trying to show is the risk that the discussion of food security slip for a" cool thing "... ah, let's eat organic and us to be discussing this. I do not say it's not a legitimate question. But want to make it clear that there are those who go hungry and we should not hold on to an issue just because it's cool. It cannot be an elitist thing in such an unequal country like ours. "
• Malnutrition: eating habits, lack of quick access to healthy foods.
How might we ...
Marnie explains a bit of the question "how could we".
• Food waste in general: How could adopt measures and practices that reduce waste? • Urban agriculture: How could we have technologies and inputs to encourage urban agriculture? How could we have more public spaces for urban agriculture? How could we have public policies that encourage urban agriculture? • Encourage the local market: How could we increase the autonomy of farmers to market their products? • Sustainability of small farmers. Quality and "health status" of the food produced and consumed: How might we expand the business knowledge of farmers? How might we adapt the legislation to the characteristics of the small farmer? How might we take into account the context of production? How might we enhance community support with specific skills to family farmers (for example: volunteer veterinarian or cooperative or city hall, in the case of milk producers, etc.)? How might we increase the support and protection to the family farmers? • Citizen ignorance about the origin of food. How to know the food of procedures: How might we increase access to information? • Hunger / malnutrition: How might we disclose the "Food Guide for the Brazilian Population"? How might we improve the knowledge about the nutritional values? How might we increase the dissemination of information and healthy food points?
The Food Guide for the Brazilian Population, as pointed Jose Divino is a reference guide little known by Brazilians, although it international recognition. This Guide ranks foods and makes recommendations. Such information may be incorporated into the more playful way application, also for people who do not have the resources.
Marnie stressed that there are other ways to provide this knowledge which is not only providing the Guide. Mentioned on an application developed that tells how much was consumed and according to the data provided by the user, the application to the end of the day provides a report with percentages and nutritional data.
The participant José Carlos Aragão suggested the creation of an application to translate the nutritional information of food packaging. "What I point to know the percentage of the product, how many grams of sodium? So what? What is the optimal amount of consumption? "José Divino Joseph says such information exists, but you have to do many calculations.
After drafting the questions for the limitations, Marnie briefly told a story about the clowns, showed in images from Caracas, Venezuela. It was a program that initially came to Bogotá because there was the high rate of pedestrian deaths.. So the government hired clowns to go to the streets and teach pedestrians through play how to use the crosswalk. The campaign worked very well, because deaths from car accidents were greatly reduced in Bogota. Therefore, they brought the campaign to other cities. Marnie asked: What was the budget meeting when they approved the budget for the clown campaign like? It's funny to think of this fact and their bureaucratic developments, but the campaign was successful. She mentioned this story to encourage meeting participants to think that finding alternatives to the proposed questions similar to the campaign is no problem. This is not the moment to think if it would work or not, nor if the technology will work. With that, she proposes that participants answer the questions that have developed in the previous section.
• How might we expand information and dissemination of healthy eating points? Visual indication (plates, adhesives), disclosure on social networks. To develop a geo-referenced platform that is collaborative, healthy eating spots in Belo Horizonte. • How might we disclose the "Food Guide for the Brazilian Population" (disclose information about healthy eating)? How might we improve the knowledge about the nutritional values? Ongoing disclosure in major media. Create memes and put on social networks. • How might we have a "decoder" packaging? Use a less technical language on product packaging. • How might we have public policies that encourage urban agriculture? Off taxes and municipal taxes for those who practice urban agriculture. • How might we have more public spaces for urban agriculture? Identify and allocate idle spaces for groups engaging in urban agriculture. • How might we expand distribution points for healthy food? Establish a connection between the consumer and the producer / family farmer. • How might we have technologies and inputs to encourage urban agriculture? Make technical guidance available • How might we adopt practical measures to reduce waste? Educational intervention throughout the production and consumption chain. • How can we extend support to family farmers? Encourage cooperation and networking among farmers. • How might we expand the business knowledge of farmers? Information and exchange of knowledge. • How might we adapt the legislation to the characteristics of the small farmer? Articulate the institutions responsible for regulations to recognize the differences between producers. • How might we enhance community support with specific skills to family farmers? Connect the consumer to the farmer. Map and disseminate the family farmers who are close by, around the communities. Increase the autonomy of farmers for marketing their production.
Marnie mentioned that she heard several things that are possible to do without much difficulty, and other issues such as the adequacy of the legislation, that no American technology intervention would be able to help with. She explained that even though there are several issues that can be resolved, only three applications will be created. The solutions are different and will be treated in different ways.
Soon after, she explained the theory behind the methodology adopted during the meeting.
There are issues and problems. Issues are comprehensive and need continuing attention. On the other hand, we can find solutions for problems, we can act to solve them. We cannot confuse the two. The impact and the result of each are different. And in this way, she explained each concept through the examples provided in the presentation.
The application can work in a specific area and solve a problem. The theory is used not only to understand what is executable or not, but also to understand how technology can impact situations. There are three ways that technology can impact issues: technology can illuminate (give visibility to clarify) the issues; technology can pinpoint the issues and the technology can prompt action on the issues.
Thus, the question remains: "It's an opportunity to illuminate, point or act? What is the impact we want to give each of the questions? "And so, participants rated the “how might we” questions. After they ranked them, they were ask by Marnie to vote on issues which they were most interested in.
Top-rated issues:
Illuminate: Technology can illuminate the issues. Geo-localized platform where people can buy healthy food.
Pinpoint: Technology can help us pinpoint out the differences.
Map and disseminate close-by family farmers.
Act: Technology can prompt people to take action.
Establish a connection between the consumer and the family farmer.
Final comments.
Acknowledgements.